Isabella Fiorentino, 44 anos, modelo e apresentadora, fala à Origem Surf sobre a motivação de se tornar surfista. Ela conta sobre os desafios do início, o medo de ser cringe e parecer ridícula e o gosto por ondas maiores. “Sabe isso agora, que os adolescentes estão dizendo, cringe? Me perguntei algumas vezes, será que estou ridícula de querer começar a surfar? Mas, ridículo mesmo é não ter coragem para começar coisas novas”.

por Janaína Pedroso

“Final do ano passado, em dezembro, durante quarentena me rendi ao videogame.” Isabella conta que passou a liberar mais os jogos aos filhos. “Eles começaram a passar muito tempo na tela, então ficou decidido que faríamos uma atividade, e escolhemos o surfe. Fomos à loja todos juntos (Isabella é mãe de trigêmeos), mas fui a única que não comprou prancha”. Ela conta que até esse momento não estava decidida sobre surfe. “Pensei num bodyboard de início”. 

A apresentadora se diverte ao lembrar que não tem talento para a dança, que dirá para o surfe. “Eu me acho desengonçada, não sei nem dançar”, diz. 

Além de se sentir mais jovem, a modelo conta que emagreceu 8 quilos com o surfe. “O surfe me trouxe várias coisas: me sinto mais nova e também capaz de fazer algo novo”. Ela conta que o surfe também impactou no seu estilo. “O surfe mudou coisas fortes na minha vida. Antes dava muita importância à maquiagem, que hoje deixou de ser importante, por exemplo. Escova (nos cabelos) então não faz mais o menor sentido”, conta.

“Rejuvenesci depois que comecei a surfar”

Isabella Fiorentino em entrevista à Origem Surf
O surfe causa sintomas como alegria e plenitude. Isabella feliz ‘de cabeça feita’. Arquivo pessoal.

Isabella diz ter tido desde muito pequena uma conexão muito forte com a natureza. “Em casa, desde muito cedo, temos contato com sustentabilidade. Reciclamos em casa há mais de 40 anos, minha mãe é macrobiótica.”

Além de mudanças no estilo de vida, Fiorentino conta como um mergulho no mar que costumava dar antes de conhecer o surfe, hoje tornou- se quase um ritual sagrado. “Antes eu dava um mergulho, hoje eu sinto a maré, as ondas quebrando, percebo o momento exato do arco íris se formando com o spray de água vindo da onda.”

Se por um lado a vida de modelo a distanciou por anos da natureza, hoje a beldade parece recuperar o tempo perdido. “Adoro ir sozinha para a praia, acordar às 5 da manhã e saber que tem onda. Antigamente era importante ter um lançamento da moda, hoje isso já não tem mais importância também, é bacana, mas não tem o mesmo peso”.

“O surfe é uma arte, você faz do seu jeito, uma dança”

Isabella Fiorentino, modelo e apresentadora.

Veia de big rider

Apesar do pouco tempo de surfe, Isabella já percebeu que seu estilo está mais para ondas grandes. “Eu não sei surfar, não dou batida, rasgada, nada disso. Meu negócio é descer a onda, e gosto de onda grande, sou corajosa, vou de cabeça, não tenho medo”

Embora já tenha se machucado algumas vezes, ela diz não se sentir desencorajada por isso. “Passei muito perrengue, dia desses tentei voltar para o mar e não conseguia, tomei quatro séries de ondas na cabeça. Até que percebi que era melhor eu sair do mar, olhar, fazer uma pausa e tentar de novo. Já cortei várias vezes o pé, antes ficava toda roxa. Agora aprendi a cair melhor, já não fico mais machucada. O surfe é um esporte de perseverança”.

Para a evolução no surfe, Isabella Fiorentino investe em dois técnicos. “Tenho dois técnicos de surfe, um de água e outro que analisa as imagens comigo”.

A modelo pode até ter começado agora, entretanto ela parece ter compreendido exatamente a matemática do surfe. “Tem momentos que o mar não te quer ali. Tem que ter humildade, coragem e paciência”

Por fim, ela acredita que a experiência tem refletido não só em sua vida, mas na de seus  admiradores. “Recebo muitas mensagens, especialmente de mulheres que por alguma razão haviam abandonado um sonho ou deixado de tentar algo novo. Mais do que influenciar, quero inspirar”, diz Isabella Fiorentino. 

Isabella encara a sessão de surfe no litoral paulista. Arquivo pessoal/divulgação.