A etapa mundial em Margaret River, na Austrália, retomou com ondas enormes. Após breve pausa à espera de nova ondulação, o evento teve início na noite de ontem, 02, daqui do Brasil. Com altas ondas, grandes performances e alguns questionamentos.

Com ondas na casa dos 15 pés, em Main Break, um dos picos mais icônicos de Margaret, então iniciou-se a terceira fase do Margaret River Pro. 

A etapa encerra a primeira metade do CT e marca a disputa pelas últimas vagas no grupo dos 22 surfistas homens da elite do surfe mundial. Estes seguem na disputa deste ano e garantem suas vagas para o início do calendário das etapas de 2023.

Samuel Pupo e Jadson André confirmaram ontem seus nomes, ao avançarem para as oitavas de final. Eles engrossam o time ao lado dos já classificados Filipe Toledo, atual líder do ranking, Italo Ferreira, Miguel Pupo e Caio Ibelli. 

O encerramento do evento deve ocorrer a partir das 20h desta terça, (horário no Brasil), com transmissão ao vivo pelo SporTV e pelo WorldSurfLeague.com.

O que aconteceu com DVD?

O talentoso e aguerrido Deivid Silva causou estranheza ao surfar sua bateria ontem, contra o estreante Barron Mamyia. Dvd, como é carinhosamente chamado, terminou a bateria com míseros 0,13 pontos. Enquanto seu oponente se movia, surfava, dropando cinco ondas no total, o brasileiro permaneceu inerte. Apesar do mar desafiador, ainda é difícil entender o que aconteceu com o brasileiro. Talvez a pressão do corte tenha pesado sobre os ombros.

Quão justo é João Chianca longe do CT?

É ingênuo falar sobre justiça quando o assunto é surfe competitivo. São tantos os problemas e questionamentos que surgem a partir da ideia de quão justo é o surfe de competição. Especialmente nos grandes circuitos, como o CT, da WSL.

O surfe pode ser considerado um dos esportes mais complexos de todos se analisarmos as infinitas inconstâncias a que são submetidos os surfistas. Mais desafiador ainda pode ser a vida dos juízes, que precisam transformar critérios tão subjetivos em número.

Agora, como se não bastasse toda a pressão da competição, a dificuldade de se manter constante e basicamente vencer uma etapa do circuito, seja da elite ou não, atletas precisam lidar com o corte, que reduz drasticamente o número dos surfistas.

Por fim, um atleta que tem tudo para brilhar na elite do surfe mundial, e mais do que isso, mostrou estar completamente pronto, dá adeus ao CT.

É lamentável que nomes como João Chianca, que renovariam os ares do circuito, fiquem de fora. Mas, regras são regras.

Fazia um tempão que eu não ganhava uma bateria assim, de virada. E foi na hora certa! Eu estava tentando não pensar muito em ranking. Mas, tinha bastante gente atrás querendo pegar minha vaga, então me concentrei em pegar as ondas certas e surfar bem.

Samuel Pupo
Samuel Pupo após vitória em bateria do Margaret River Pro. Foto Aaron Hughes/World Surf League.
Filipe Toledo abraça DVD após derrota para Barron Mamiya. Foto Aaron Hughes/World Surf League.
Caio Ibelli durante Margaret River Pro. Foto Aaron Hughes/World Surf League.