“É só um esporte como outro qualquer”, eles disseram. Só que não. Já contei para vocês em outros textos que eu cheguei a praticar várias modalidades, mas nenhuma delas foi tão viciante quanto o surfe. O surfe me despertou para a vida.

por Marcela Lima

Em 2017, quando deslizei pela primeira vez numa onda, naquela manhã chuvosa de março, uma chave virou dentro de mim. Eu já não podia mais viver do jeito que eu vivia: estressada, ansiosa, comendo de forma desequilibrada, bebendo demais, com dores em vários pontos do corpo.

Não foi da noite para o dia que minha rotina mudou. Foi um processo. Eu comecei a querer estar mais dentro d’água do que na frente das telas. As madrugadas de porre começaram a ficar condicionadas à previsão das ondas. Vai dar onda? Vou para a cama mais cedo.

A academia era algo que eu detestava. Ia malhar apenas para me encaixar num padrão estético. O surfe me fez perceber a necessidade de ter um corpo mais resistente. Os treinos de fortalecimento e aeróbicos, que antes eram um sacrifício em nome da beleza, viraram necessidade.

Além da parte física, o surfe provocou em mim uma profunda transformação interna.

No ano passado eu li “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg. Uma das coisas que aprendi foi que hábitos criados e bem trabalhados extrapolam para outras áreas da sua vida. No meu caso foi assim: eu comecei a aplicar as habilidades emocionais que desenvolvi no mar em outras situações cotidianas, no trabalho e nos relacionamentos. Hoje me sinto muito mais feliz e realizada em vários aspectos da minha vida. Sei que devo isso ao surfe.

Desde que eu virei surfista eu me tornei uma pessoa muito mais corajosa, autoconfiante e paciente. Eu imagino que outros viciados em surfe compartilhem do mesmo sentimento que eu. O mar é uma mistura de escola com parque de diversões. A gente aprende, mas a gente brinca.

Hoje eu já não consigo visualizar minha vida sem esse esporte. Além dos aprendizados e de toda diversão, o mar me deu amigos muito especiais, me deu trabalhos como este aqui. Nota avulsa da autora: ainda não caiu a ficha que virei colunista do Origem Surf.

Mas voltando ao assunto, eu sei que, se eu tiver saúde e se Deus permitir, eu serei uma velhinha aventureira, que faz surftrips com os netos e netas. Ainda pretendo rodar o mundo com minha prancha e minha família. Conhecer novos lugares e culturas, pegar ondas alucinantes e viver momentos incríveis.

O surfe já mudou completamente a minha vida, mas a minha história com ele está apenas começando.

Marcela Lima explica como o surfe mudou sua vida. Foto @zerodoiszoom