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Surfista negro sofre racismo na zona sul do rio

por | jun 14, 2021 | Destaque, Notícias | 10 Comentários

No último sábado (12), um jovem negro, instrutor de surfe, sofreu racismo enquanto aguardava a namorada em frente ao Shopping Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Matheus Ribeiro, 22 anos, é morador da Maré e estava em cima da sua bicicleta elétrica quando foi abordado por um casal de brancos, que o acusou de ter furtado a bicicleta que estava com ele. A moça teria tido a sua bicicleta furtada nas redondezas.

Matheus no Arpoador. Foto: Reprodução

Matheus fez um post em suas redes sociais relatando o racismo. Na postagem, ele diz que os dois acusadores gritavam “você pegou essa bicicleta ali agora, não foi?” e “é sim, essa bicicleta é minha”. Então que Matheus mostrou fotos antigas dele com a bicicleta, chave do cadeado e tudo o que ele tinha na hora. Ao verem que a bicicleta era do instrutor, tentaram distorcer a situação. Mas Matheus é firme e os confronta.

Em contato com a Origem Surf, Matheus disse que nunca presenciou a situação de ser acusado em público. “Nunca passei por essa situação exatamente, de ser acusado em público e tal. Mas nós pretos sempre percebemos certos olhares ou certos tipos de tratamento diferente. Eu não estava com os documentos da bicicleta, mas estava com os meus. Sempre costumo andar com identidade e CPF”, relata.

Além de todo o racismo que sofreu, Matheus ainda teve medo de ter a situação voltada contra si e acabar preso. “Eu tive medo de acabar na mala de algum camburão, ou com algum policial em cima de mim. Mas naquela hora eu pensei mais em provar minha inocência, quanto a tudo”, desabafa.

Nascido e criado na Vila do João, no Complexo da Maré, Matheus Ribeiro tinha contatos esporádicos com a Zona Sul, na adolescência. Ele foi inserido no universo do surfe quando Marcelo Bispo, dono da escolinha em que hoje ele trabalha, ofereceu uma bolsa de estudos, há quatro anos. Hoje, Matheus é instrutor técnico dos alunos.

Ribeiro ainda mora na Maré, mas por conta das aulas ele fica mais tempo na casa da sua namorada, em Copacabana. A escolinha consome seis dias da semana. Mesmo com a agenda lotada, Matheus ingressou na faculdade de Educação Física.

Eu não era alguém pedindo esmola ou vendendo jujuba. Um preto numa bike elétrica?! No Leblon???! Aaah só podia ser, eu acabei de perder a minha, foi ele. São coisas que encabulam o racista. Eles não conseguem entender como você está ali sem ter roubado dele, não importa o quanto você prove..

Matheus faz desabafo nas redes sociais

Nota do autor: Nós, pretos, sofremos todos os dias com o racismo estrutural. A gente tem até regras para sair de casa: levar todos os documentos, estar sempre bem arrumado, nunca correr na rua, não ficar perto de ninguém dentro de lojas e supermercados… Enfim, o negro não pode ter nada que os brancos tenham, é isso?

Veja o vídeo do casal que acusa Matheus de roubo https://www.instagram.com/p/CQEpTPzj1Oi/

Sobre o autor

Origem Surf

Janaína Pedroso surfa há 21 anos. É formada em Comunicação Social/Jornalismo, com especialização em Roteiro para TV, Teatro e Cinema. Já atuou como apresentadora com passagens pela Globo, Band e CNT e como repórter para Editora Trip. Atualmente divide seu tempo entre a maternidade, o surfe, a produção de textos e à frente da empresa de comunicação Origem Press.

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10 Comentários

  1. Eliane Daniel

    Parabens por ter colocado a boca no trombone, TOLERANCIA ZERO AOS RACISTAS!!!

  2. Wilson Lima

    Tem de ir à Justiça contra o casal. Ele tem a obrigação de fazer isto, especialmente para que o casal aprenda, se tiver condições cognitivas para tanto, a domar seu preconceito. Não sou a favor de que se busque a Justiça por qualquer razão, mas, neste caso, ele tem razão de sobra para adotar tal medida. Foi tratado como ladrão, aos gritos, num espaço público. Por favor, Matheus, faça isto, e esteja certo de que estará ajudando muitas outras pessoas que diariamente também são vitimadas por esse enorme racismo que há no Brasil.

  3. ricardo antonio

    Força Mateus…
    Infelizmente vivemos em um dos países mais racistas do mundo, apesar de mais da metade da nossa população ser negra.
    Mas felizmente você esta tendo a oportunidade de se posicionar e demonstrar na pratica a realidade da ignorância que vivemos.
    Não deixa de denunciar e prestar queixa para que pelo menos o seus agressores comecem a entender minimente que não podem e não devem fazer o que fizeram.
    Sonho com o dia em que a maioria da nossa população comece a tomar consciência e lute pelos seus direitos.

  4. ALexandre

    Que vergonha! A sociedade brasileira e continua mais racista e escravagista que nunca! Dificilmente algo irá muda se ninguém se manifestar.

  5. ROSANIA ALVES MARQUES

    Uma vergonha… Mateus, denuncia e cobre das autoridades. Ajude a sermos uma sociedade mais humana e justa. Imagine você, Mateus se Deus for Negro ?

  6. Marcos Andrade Moraes

    Não, não é. Seu raciocínio final

    “Enfim, o negro não pode ter nada que os brancos tenham, é isso?”

    pode ser considerado racista, embora seja realmente limitado pela posse, consumo…pelo ter; capitalista.

    O racismo existe quando alguém se percebe superior ao outro, por alguma característica que lhe incomode: cor da pele, religião, posição geográfica…raça. Os índios americanos eram altamente racistas entre si e, desconfio, os brasileiros também. Os japoneses foram racistas contra chineses, coreanos…brancos. Brancos foram racistas contra brancos: judeus, eslavos, ciganos, irlandeses… Africanos foram e são racistas: árabes, negros, brancos…

    Enfim, o racismo existe e jamais deixará de existir. Ouso mesmo afirmar que estrutural é bobagem; o racismo é da natureza do homem. Mas cagar também é, e nem por isso cagamos em qualquer lugar… O racismo deve ser duramente combatido quando domina as relações humanas. O que não pode é ofender, segregar, impedir, ferir e matar, porque quem o faz sente-se superior..

    O casal é racista? Não sei. A ação foi racista? Em parte foi, mas é causa ou efeito? Se a vítima fosse branca, seria diferente? Talvez sim. A questão é: se tivesse ocorrido na Maré seria diferente se o “ladrão” fosse branco e os roubados negros?

    O que levou o casal a agir assim foi o cabelo “ruim” e oxigenado do surfista ou os constantes assaltos e roubos de bikes na Lagoa, Leblon e Ipanema nos últimos 20 anos? Inclusive com mortes…Há um caldo de cultura – e o surfista fala sobre isso – que precisa secar. Neste sentido, ele fez bem em filmar. O problema é o uso que se fará disso.

    Racismo é foda, mas quase sempre serve como desculpa para esconder medos e complexos. Exemplo. Em Sapucaia, RJ, existe uma forma de pensar que afirma ser japonês todo aquele que trabalha de domingo a domingo, plantando e colhendo em suas terras.

    Concluindo, racismo é muito sério para ser colocado em qualquer questão, porque acaba servindo para que alguns consigam grana, poder, fama e vivendo da desgraça alheia.

    Por último, não se esqueça, ele é da Maré. E ali ninguém brinca em serviço.

    MAM

  7. Marcos Aurélio

    Matéria tendenciosa e totalmente desconexa com a realidade, ele mesmo fala que O casal em nenhum momento fez ataques a raça dele.

    Publiquem agora, uma matéria mostrando que a bicicleta dele foi roubada de um empresário, foi recolhida e ele está responde do por receptação.

  8. Kevin

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